Polícia Civil de Três Corações quer saber por que o padre Bonifácio Buzzi voltou à ativa sacerdotal, mesmo sendo condenado por pedofilia
A morte do padre Bonifácio Buzzi, de 57 anos, que se matou em uma cela na Penitenciária de Três Corações na manhã de domingo, dia 7, não vai extinguir o inquérito que apura as denúncias dos abusos sexuais a duas crianças, de 9 e 13 anos. As acusações são de estupros ocorridos em maio deste ano, numa comunidade carente da zona rural de Três Corações.
Devido a grande repercussão do caso, o delegado regional daquela cidade, Pedro Paulo Marques, concedeu uma entrevista coletiva na tarde de hoje, segunda-feira, foi ele que prendeu o padre na sexta-feira. Ele disse que o objetivo agora é apurar as responsabilidades pelo retorno do padre às atividades religiosas na comunidade, mesmo ele estando em regime semiaberto, depois de condenado a quase 20 anos de prisão por crime de pedofilia.
O padre Buzzi foi citado no filme americano Spotlight – segredos revelados, que foi vencedor do Oscar de Melhor Filme de 2016. O filme é um drama biográfico que revela como a Igreja Católica acobertou abusos sexuais de crianças e adolescentes praticados por seus sacerdotes.
Na entrevista coletiva, o delegado Pedro Marques disse que o padre Bonifácio Buzzi foi visto com vida pela última vez às 19h, por um detento que distribui as marmitas nas celas. Um inquérito foi aberto para investigar as circunstâncias da morte do acusado, apesar do delegado considerar, com base nos levantamentos iniciais dos peritos, que é um caso de autoextermínio, suicídio. Ele se enforcou ontem usando uma corda feita com lençol, conhecida como "teresa" na cela em que estava sozinho.
O inquérito sobre os abusos estão a cargo da delegada Ana Paula Gontijo, de Três Corações. De acordo com as investigações, o padre, depois de ser colocado em liberdade do Manicômio Judiciário "Jorge Vaz", em Barbacena, onde cumpria medida de segurança, seguiu para o Sul de Minas, com carta de recomendação, e reiniciou o sacerdócio na Comunidade Evangelizadora Magnificat (CEM), que fica no km 88 da MG-167, entre Três Corações e Cambuquira. Embora não fizesse celebrações, era reconhecido como padre e frequentava as casas das crianças.
Buzzi conseguiu conquistar sem dificuldade a confiança das pessoas, elas são humildes e não tinham informações sobre seu passado. Bonifácio Buzzi é acusado de abusar sexualmente de dois meninos, um de 9 e 13 anos, moradores da comunidade, ele usava como pretexto fazer pescarias com as crianças. No local, ele teria usado o argumento de que havia carrapatos, para que as crianças tirassem suas roupas, para então praticar os abusos.
O padre Bonifácio Buzzi já tinha duas condenações pelo mesmo crime: em 1995, ao ser flagrado abusando de dois meninos com 10 e 15 anos, em Santa Bárbara, Região Central, ficou quatro anos em prisão domiciliar; em 2001, manteve relação sexual com um menino de 9 anos, depois de celebrar missa em uma igreja do Distrito de Mainart, em Mariana, na mesma região. Pelo crime, foi condenado a quase 20 anos, mas foi colocado em liberdade depois de cumprir parte da pena.
Fonte: Jornal de Lavras
