Quem quer ser alguém na vida projeta sua felicidade para o futuro. Este é o grande erro da humanidade desde que começou a perceber sua mente consciente. E como projeta sua felicidade para o futuro acaba não existindo. Porque o futuro não existe. O futuro é uma invenção da mente humana, uma fantasia. O único lugar que temos para viver é o agora.
Ora, se o único lugar que temos para viver é o agora, todo o querer ser alguém na vida cai por terra. Todo o querer cai por terra. E em vez de querermos ser alguém passamos a simplesmente ser. Este querer ser alguém que não se é, tem afastado cada homem sobre a terra da sua verdadeira essência, de seu eu superior, self, "Eu Sou", ou como você prefira chamar a realidade última de cada indivíduo. Tudo o que você precisa ser você já trás dentro de si, agora, neste exato momento.
Tudo isto relativiza a idéia de esperança. Só pode haver esperança em relação a um ponto futuro, se eu espero, espero alguma coisa que ainda não está aqui. E tudo que é de real valor nesta vida está aqui e agora e em nenhum outro lugar. No momento em que se condiciona a felicidade a algum elemento externo, algo fora de si mesmo, ela escapa. Tudo que se pode ser é. Não está inserido na dimensão temporal.
Este agora de que falamos é um espaço ínfimo. Ele está situado entre o instante imediatamente anterior e o instante imediatamente posterior. É uma quase nada. E é essa portinha mínima que precisamos atravessar para se alcançar toda a possibilidade de uma autêntica felicidade. Mas ninguém precisa fazer regime, para ultrapassar essa estreita porta. A única exigência é a atenção.
É preciso estarmos alertas, vigilantes, presentes. E essa atitude continuada que abre as portas do infinito em nossas vidas, O infinito não é uma abstração. No início é preciso um certo esforço para nos mantermos totalmente imersos no momento presente. Com a prática isto vai se tornando natural. Essa atenção continuada cessa o fluxo de pensamentos. São os pensamentos agitando nossas mentes que nos impede de vivenciarmos nossa luz interior.
A mente por si mesma não é algo negativo. A mente é um maravilhoso instrumento desde que colocada a serviço do homem, e não o homem a seu serviço. Uma vez cessado o fluxo de pensamentos temos acesso a nossa verdadeira natureza. Temos acesso ao que é . Sem disfarces. Sem máscaras. Sem ilusões. Voltamos para casa, enfim somos. E o que somos é muito mais semelhante a Ninguém do que a Alguém. As pessoas muito identificadas com o ego podem não reconhecê-lo. Ele pode passar despercebido em algumas rodinhas sociais. Mas está ali, uma paz, um conforto, uma Presença, algo muito difícil de ser descrito em palavras. Isto é o que os indianos costumam chamar de auto-realização. E que ao contrário do que se possa imaginar nem está muito distante. Está aqui. Está agora. A eternidade mora num átimo de segundo. Se você estiver atento, a felicidade sem motivos estará a seu alcance.
Antônio Augusto Lima
Psicólogo, Publicitário e Poeta
