Contra fatos não há argumentos



Fiquei constrangida ao ver Caxambu receber seus visitantes neste sábado, colocando em suas mãos uma nota de falecimento de um morto que não morreu. O morto em questão, mais vivo do que nunca, é o prefeito da cidade. Enquanto trabalhava num evento que já está se tornando parte do calendário oficial de Caxambu, oferecendo atenção e cuidados à população, o prefeito via seu próprio enterro passando emsua frente. As pessoas ao redor comentavam a violência do ato. Fiquei constrangida ao dizer a eles que numa cidade tão especial existia tamanha violência de enterrar um vivo, vivíssimo alias, que desde o início de seu governo só faz trabalhar incansavelmente pelo bem de Caxambu e de sua população, é triste que haja na cidade eventos como este. É claro que vivemos numa democracia, as reivindicações são parte fundamental do processo, mas o fim não justifica todo meio. Matar um vivo é uma espécie de assassinato moral, mas a tristeza definitivamente não estava do lado daqueles que trabalhavam em serviço do povo. O prefeito, estava ali trabalhando em um evento voluntário como todos nós, no sábado dia 3 de maio de 2014, no Mega Mutirão Solidário e Campanha do Agasalho, servindo e ajudando ao próximo. Olhando aquele caixão, as pessoas de preto desfilando a sua frente, as bolas no caixão numa alusão à oferta de bolas que o prefeito realiza na cidade, querendo trazer uma sombra para uma atitude que busca trazer um pouco de alento ao coração de crianças que muitas vezes vêem sua infância passar sem direito a um brinquedo sequer. O prefeito ali, vivo, mais vivo que nunca, trabalhando e as pessoas blasfemando ao seu redor.

O que as pessoas ali não entendiam é que na verdade o que morreu foi a oportunidade de se fazer uma reivindicação humana, digna, profícua. O que aconteceu ali na verdade foi uma terrível epidemia que matou junto a dignidade, o bom senso, a sabedoria, e o respeito. Mas um ato tão frívolo não merece a veemência do revide. Até porque o feitiço caiu contra o feiticeiro, e o comentário geral era o contraste entre a alegria evidente nos rostos da pessoas que atendiam a população, e o anticlímax do desfile negro de uma morte não acontecida. Saltava aos olhos de todos a discrepância entre a atitude daqueles que trabalhavam em benefício do próximo em pleno fim de semana e daqueles que buscavam promover a morbidez em meio a um evento tão bonito.

É impossível desatrelar a manifestação negra da frustração da oposição pela perda política no pleito de 2012. Se alguma coisa morreu neste fim de semana foi a elegância da derrota. Sabemos que uma derrota pode trazer benefícios supremos ao derrotado, desde que ele tenha altura suficiente para aprender com o fracasso e a partir daí desenvolver uma oposição construtiva, que ao invés de promover lutos virtuais desairosos, fica do lado do povo, da cidade, contribuindo para ampliar o olhar sobre as necessidades da população.

O que aconteceu ali também foi a morte da compreensão, do conhecimento. O prefeito encontrou uma situação extremamente caótica na prefeitura, dívidas assombrosas deixadas pela última administração e vem trabalhando com responsabilidade e cuidado, saneando as dívidas para depois partir para as realizações. É preciso um pouco de paciência, mas quem está mais próximo destas pessoas sabem da incansável determinação para trazer melhorias à cidade. E várias coisas estão sendo feitas, como os cuidados com o parque, e varias outras obras.

Mas o prefeito sai dessa, usando um termo bem apropriado ao contexto, ressuscitado. Mas calma, não é caso de sair por aí promovendo uma correria desnecessária. O morto nunca morreu, ou pelo menos não temos notícia de um morto que em pleno fim de semana trabalhe em benefício do povo que o elegeu. O morto está muitíssimo vivo, e com energia de sobra para trazer de volta a alegria viva para esta cidade tão linda, ao contrário daqueles que insistem em trazer a tristeza. Gratidão a todos que fizeram o mutirão trazendo vida para Caxambu.






Susane Cabral (Psicóloga)