Coluna - NAS MINAS DO DO SUL DAS GERAIS

Estréia hoje (20/04), no Jornal i9 Minas, a coluna quinzenal, intitulada “Nas Minas do Sul das Gerais”, assinada pelo historiador, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, da Academia Caxambuense de Letras e atual diretor do Museu de Caxambu, Paulo Paranhos.

A coluna Nas Minas do Sul das Gerais apresentará artigos que tratarão das coisas do Sul das Minas Gerais, sua história, sua terra, sua gente. Com certeza uma ótima oportunidade para os que se interessam pelas coisas dessa belíssima e importante região de Minas Gerais.

Agradecemos a Paulo Paranhos por ter aceitado nosso convite. Sua participação em nosso jornal muito nos honra e muito acrescentará aos nossos leitores.



                                       NAS MINAS DO
 DO SUL DAS GERAIS
                           
                                     Paulo Paranhos*

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                            O Sul das Minas Gerais

Grande parte da história das Minas Gerais não seria possível de ser contada sem a cumplicidade dos cursos de água que regam, fertilmente, toda a sua região sul. Considerados como um dos principais meios de penetração dos bandeirantes no interior do Brasil, os rios formaram um sustentáculo formidável para que a gente saída do planalto de Piratininga alcançasse com êxito a região das minas de ouro e pedras preciosas que buscavam desde o momento em que a Coroa portuguesa optou pela colonização do Brasil.
Assim é que rios como o Verde, o Baependi, o Grande, o Passa Quatro, o Aiuruoca, o Sapucaí e todos os seus afluentes concorreram não só para a fixação do homem em sua passagem, mas, sobretudo, abriram oportunidade ímpar na formação de uma nova capitania, a partir de 1709, quando se formou a identidade mineira, em confronto com os emboabas, os “estrangeiros” que lhes queriam espoliar as terras e minas encontradas com “sangue, suor e lágrimas”, através da marcha diuturna em busca do futuro.
         Ainda que lhes fustigassem os mais diversos e terríveis infortúnios (fome, doenças, índios, feras), coube aos bandeirantes o alargamento das fronteiras portuguesas, empurrando vigorosamente para oeste o Meridiano de Tordesilhas, formando um patrimônio pessoal, fundando povoados e vilas, dando ensejo ao surgimento de novos núcleos populacionais, forjando, enfim, a identidade do brasileiro, em primeiro plano, e, a seguir, a do mineiro, através da fixação em terras que seriam pontas de lança para novas conquistas territoriais.
         Não restam dúvidas de que, por volta de 1692 e 1693, eram conhecidas as minas do sul das Gerais: apenas o ouro era de lavagem e não em quantidade que realmente chamasse a atenção. Na região, várias sesmarias foram concedidas na primeira metade do século XVIII, casos como os de Isabel de Souza, viúva de Carlos Pedroso da Silveira; a Leonel da Silveira e Souza; a Inácio Carlos da Silveira e a Helena da Silva, viúva de Manuel Moreira, todos na região de Baependi, no caminho que vai daquela freguesia para o rio Verde.
         Inicia-se, assim, uma parte da história do povoamento do sul de Minas Gerais, onde foram erguidos arraiais e vilas que fariam a grandeza daquela região, quase que pari passu com a grandeza da região das minas de ouro e diamantes, onde pontificaram vilas como as de Sabará, Vila Rica e Mariana. A história do sul das Gerais também é uma história de bandeirantes paulistas e de portugueses que ali fincaram seus sonhos e suas esperanças de vida. Os mineiros do sul, sem dúvida, souberam dar continuidade a essa obra.
Com o título de Nas Minas do Sul das Gerais, editei há alguns anos um livro sobre variados temas das Minas Gerais, mais especificamente do sul do seu território. E não sem razão o título da obra, no qual pretendi dar uma alusão abrangente de tudo o que a região produziu e produz para o Brasil, não se atendo apenas à extração mineral, que lançou olhares aguçados do mundo inteiro e que, conforme mesmo assinalei, fez a fortuna de poucos e a desgraça de muitos. No entanto, pretendi demonstrar e reforçar que o sul das Minas Gerais é muito mais do que o ouro que produziu: o verdadeiro esplendor da região está na sua gente, nas obras que legaram à posteridade.
         Assim, damos início a uma série de artigos que tratarão das coisas do sul das Minas Gerais, sua história, sua terra, sua gente, nesta coluna que por bem pareceu-me dar a titulação daquela obra. Desde já agradeço, em primeiro lugar, a confiança dos editores do Jornal i9 Minas, na pessoa de Roberta Pimenta, e, em seguida, à paciência e benevolência dos leitores para com os meus escritos.

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* Historiador e membro do IHGMG.